Análise tática: Sport 1 x 2 Vitória!

Prancheta- Sport 1 x 2 Vitória.

O Sport somou mais uma derrota no Campeonato Brasileiro e deixou o grupo dos 10 primeiros colocados pela primeira vez. Desta vez, foi derrotado pelo seu algoz da Copa Sul-Americana, o Vitória, dentro da Ilha do Retiro por 2 a 1.

O Leão da Ilha entrou no habitual 4-2-3-1, só que usando Diego Souza novamente na referência. O camisa 87 mais uma vez não conseguiu dar a mobilidade necessária no setor ofensivo. O gol do time baiano aos 49 segundos de jogo acabou quebrando/alterando toda a estratégia e planejamento de Eduardo Baptista para a partida. O Sport demonstrou dificuldades na transição entre os setores, com muitos erros de passes e saída de bola, além da recomposição/transição defensiva lenta, demorando a fechar-se totalmente atrás da linha da bola e balancear para o lado atacado com suas duas linhas de quatro, postadas em bloco baixo, dentro da própria intermediária, dando espaços para a progressão adversária e sem agressividade/indução ao erro na marcação.

Ofensivamente, Ibson circulava e balanceava do centro pra esquerda, podendo inverter com Ananias e formar um pequeno triângulo no setor com o último citado e Renê. Enquanto que Patric fechava por dentro quando a bola caía no lado oposto e ia no facão em diagonal pra área para atrair o lateral do lado oposto ao da bola que fechava na cobertura por dentro. Diego Souza ficava mais fixo entre os zagueiros pra bola aérea, o que de certo modo limitava sua participação, já que saindo mais da área e carregando marcadores para fora do setor original, certamente teria mais utilidade, pois abriria espaços pras infiltrações de Patric em diagonal nos espaços vazios. Porém, tirando Patric, o setor ofensivo do Sport não tinha um jogador atacador de espaços da última linha adversária. Abaixo, duas movimentações do time pernambucano:

Sport- Movimentação ofensiva contra o Vitória(1)

Ibson balanceou ofensivamente pra esquerda, formando uma sociedade triangular com Renê e Ananias, que infiltrou nas costas do lateral como opção de passe em profundidade para o portador da bola(Ibson). Nesse instante, Diego Souza atrai o lateral-esquerdo adversário na área e tenta a diagonal curta no espaço entre ele e um dos zagueiros. Patric deixa o lado direito e fecha por dentro pra gerar o corredor pra Vitor, que no lance, já estava sendo acompanhado individualmente por Vinicius.

Análise tática- Gol do Sport(Diego Souza)

No lance do gol leonino, o lateral-esquerdo Juan foi subir pressão ao centro na intermediária, distante da linha defensiva baiana. Patric apresentou-se no espaço vazio e recebeu o passe com liberdade, balançando a defesa do Vitória. Ibson fez o movimento fechando pra dentro da área pra atrair o zagueiro e Diego Souza traçou a diagonal pra segunda trave para completar.

Dentro da sua proposta de jogo, o Vitória trabalhou com inteligência em suas ações. Jogo reativo, buscando a saída em velocidade no contragolpe 4-4-2 em linhas compacto sem a bola, bloco baixo, negando espaços da linha de meio-campo pra trás, marcação ativa dentro do próprio campo, com Marcinho voltando à direita pra fechar o primeiro combate no setor, deixando Edno e Dinei mais à frente. Os wingers do Vitória fixavam-se individualmente nos laterais do Sport e defensivamente apenas o acompanhavam e dentro do setor, enquanto que os dois volantes basculavam para o lado da bola. Com a bola, Marcinho centralizava pra armar o jogo, cadenciar, ajudar na circulação da bola e trabalhar a posse com as linhas de passe próximas, enquanto que Vinicius buscava o drible pra cima de Vitor e explorar as costas do mesmo. Edno e Dinei também eram usados para prender/reter posse de bola em campo ofensivo, deslocando-se para os lados do campo para receber passe vertical em profundidade, fazendo o trabalho de costas pra marcação no pivô(na maioria das vezes eram mais rápidos no deslocamento e chegavam na frente dos zagueiros da equipe pernambucana) e ganhando boa parte dos lançamentos vindo dos zagueiros e do goleiro Gatito Fernández nas ligações diretas. Reter a bola no ataque também era uma forma de neutralizar o jogo, aproveitar o nervosismo adversário e ao mesmo tempo jogá-lo para longe do campo defensivo baiano. Abaixo, um pouco do posicionamento/movimentação do ataque do Vitória na situação de jogo que originou o gol de Dinei:

Análise tática- Gol do Vitória(Dinei).

Vinicius fecha em diagonal pra área, topando com Henrique Mattos na primeira trave, enquanto que Juan ataca o corredor esquerdo e chega no fundo pra cruzar. Edno fica no centro da área encaixado por Durval e Dinei tenta pular às costas de Renê na segunda trave, no espaço entre ele e Durval.

Na segunda etapa, o Vitória recuou ainda mais suas linhas, porém, perdeu a efetividade nos contragolpes. E o Sport tentou melhorar sua dinâmica recuando Patric pra lateral-direita e colocando Felipe Azevedo mais avançado pela direita. Também tirou Diego Souza para a entrada de Neto Baiano(substituição muito criticada pela torcida) e tentou melhorar a criatividade e chegada à frente com Zé Mário alinhando-se à Rithely no lugar de Wendel no meio-campo. Porém, o time leonino esbarrou na própria falta de criatividade e eficiência nas fases finais de conclusão. Talvez, recuar Diego Souza para a meia-central do 4-2-3-1 e dar mais liberdade de flutuação do mesmo a partir do entrelinhas tivesse sido uma boa alternativa. Merecido triunfo do Vitória, que jogou com inteligência estratégica para construir e assegurar o resultado.

 

Análise tática: Chapecoense 3 x 1 Sport!

Prancheta- Chapecoense 3 x 1 Sport.

Na estreia de Jorginho no comando da Chapecoense, o Verdão do Oeste venceu o Sport por 3 a 1 na Arena Condá, contando com dois gols do zagueiro Douglas Grolli. O time catarinense mostrou mais consistência defensiva e melhor definição e execução de seu plano de jogo para garantir o resultado. 
 
O 4-2-3-1 do Sport buscava o ataque com mais densidade pelo flanco esquerdo, buscando a superioridade numérica no setor, com a aproximação de Ibson ou Wendel para tabelar ou oferecer linha de passe(inclusive nas cobranças de lateral). Inicialmente tentava propor o jogo e encontrava espaços para a progressão em campo ofensivo, porém, passou a ter dificuldades de criar espaços e progredir com perigo quando a Chapecoense acertou a marcação. 
 
Sem a bola, o Leão da Ilha fechava duas linhas de quatro, deixando Felipe Azevedo e Ibson mais à frente, assim como no jogo contra o Santos. Porém, diferentemente da partida diante do Peixe, o Sport não adiantou a marcação para bloquear espaços na saída de jogo adversária e forçar o erro. Marcava em bloco baixo, sem agressividade na marcação, dando espaços para a progressão adversária na intermediária defensiva rubro-negra e os wingers muitas vezes se limitavam a marcar os laterais dentro do setor, de modo que não centralizavam para fazer o balanceamento da linha de meio para o lado atacado quando a bola estava no flanco oposto. Assim, a Chapecoense encontrava espaços para virar o jogo principalmente da direita para a esquerda, com Tiago Luis ocupando o espaço paralelo aos volantes leoninos, recebendo muitas vezes de frente para a linha defensiva e com liberdade para arriscar de fora da área. 
 
A Chapecoense se postava num 4-3-1-2 losango, marcando em bloco médio/baixo, com 7 jogadores participando mais ativamente da marcação, tripé de volantes basculando de acordo com a movimentação da bola para proteger o lado atacado, tentando reduzir os espaços do portador da bola e travar as linhas de passe próximas. Se o Sport tivesse utilizado das trocas de lado e inversões da esquerda pra direita com mais rapidez, talvez tivesse encontrando mais espaços para chegar ao gol adversário, já que os volantes adversários balanceavam para o lado da bola e o tridente ofensivo formado por Camilo, Tiago Luis e Leandro praticamente não participava da fase defensiva, logo, o Sport teria grande possibilidade de fazer 2×1 na virada com Patric e Erico Junior pra cima de Rodrigo Biro. Quando o Leão da Ilha atacava pela esquerda, Felipe Azevedo se deslocava dava opção de enfiada por cima mais à frente pelo lado ou buscava o entrelinhas para a recepção do passe curto em diagonal, às costas dos volantes catarinenses. Porém, na maioria das vezes, não conseguia dar continuidade à jogada na ponta, e ao centro, um dos zagueiros deixava a linha defensiva e saía na caça setorial curta ao atacante rubro-negro, que em quase todas as vezes recebia de costas pra marcação e não conseguia fazer o giro. 
 
Nas ligações diretas do Sport, a Chapecoense ganhava quase todas as primeiras bolas pelo fato da altura de seus zagueiros ser incomparavelmente maior à de Felipe Azevedo(1.74), que foi usado novamente por Eduardo Baptista mais à frente. Também ganhava a maioria das segundas bolas e rebotes ofensivos na intermediária, já que os volantes do Sport ficavam muito distantes e muitas vezes não saíam pra disputa, de forma que a bola quase sempre caía nos pés dos volantes da Chape, que já tinham a opção de iniciar a transição defesa-ataque. No ataque catarinense, Leandro tinha muita mobilidade. Saía bastante da área, procurava os lados do campo, dava opção de esticada, fazia o pivô, protegia bem de costas pra marcação usando de sua estatura e força física, buscava as aproximações. Tiago Luis gostava de circular por dentro, caindo pela meia-esquerda e transitando entre as linhas de meio e ataque. 
 
Após o gol de Douglas Grolli no final do primeiro tempo, Eduardo Baptista voltou com Vitor no lugar de Erico Junior. O camisa 2 atuou na lateral e Patric foi avançado para fazer o lado direito da linha de 3 do 4-2-3-1, assim como na volta do primeiro pro segundo tempo do jogo com o Santos. Porém, a Chapecoense marcou logo aos 17 segundos da segunda etapa, numa aparição de Leandro chegando à linha de fundo pelo lado direito do ataque e Tiago Luis se projetando na área e aparecendo na segunda trave para concluir, aproveitando a falha de Vitor na cobertura dos zagueiros por dentro. 
 
O gol quebrou a estratégia do Sport e a Chapecoense adotou proposta reativa, recuando suas linhas, compactando-se e fechando os espaços na intermediária, e procurando a saída em velocidade no contragolpe ou retenção de bola em campo ofensivo com a movimentação e a parede de Leandro. O Sport tinha dificuldades para criar e faltavam alternativas para atacar. Limitava-se a trocar passes lateralmente e tentar abrir o jogo do centro pro lado e cruzar na área, porém, os cruzamentos eram facilmente cortados. Ibson passou a recuar mais para buscar bola com os volantes em campo defensivo e tentar ajudar na organização da saída de bola. O Leão da Ilha ainda conseguiu descontar de pênalti com Felipe Azevedo, num lance em que Patric fechou em diagonal pra área quando a bola caiu no lado oposto. Movimento este que também foi bem executado contra o Santos. Porém, depois do gol, não conseguiu mais sequer reter bola no ataque para tentar agredir o adversário. E no final, a Chapecoense fez mais um com Douglas Grolli, aproveitando a escorada na segunda trave em jogada ensaiada numa falta cobrada por Camilo. 

Análise tática: Náutico 2 x 1 Ceará!

Prancheta- Náutico 2 x 1 Ceará.

Na vitória por 2 a 1 contra o Ceará, o Náutico foi no 4-3-3, sem referência fixa no comando de ataque, geralmente com Crislan mais aberto pela direita e Cañete mais pelo centro. Tinha proposta reativa, num sistema bem fechado, compactando-se em bloco médio/baixo, normalmente na própria intermediária no 4-1-4-1, negando espaços e buscando a saída em velocidade no contragolpe. Por vezes tentava apertar a marcação para dificultar a transição cearense, normalmente com Vinicius pressionando alto os volantes adversários pela faixa central.

 Caracterizava-se pela intensidade e velocidade na transição defesa-ataque, saindo com muita rapidez após a recuperação de bola em campo defensivo. Crislan entrava na diagonal e Rafael Cruz atacava o corredor e era opção para virar o jogo e abrir o campo. Cañete saía da área para buscar jogo e dar opção de passe curto ao portador da bola e abria pelos flancos, enquanto que outros ocupavam o espaço mais à frente e topavam com a linha defensiva cearense. Principalmente Crislan quando ia de fora pra dentro e Vinicius, que chegava muito na área, carregava a transição pelo meio e participava ativamente das ações ofensivas, movimentando-se intensamente e circulando entre as linhas de meio e ataque muitas vezes. Um dos gols alvi-rubros veio de uma saída rápida da defesa para o ataque, onde Sassá se movimentou inteligentemente, projetando-se no facão em diagonal e aparecendo às costas da linha defensiva do Ceará para concluir. A proposta reativa do Timbu foi reforçada após o primeiro gol da equipe. Nos escanteios defensivos, o Náutico marcava individualmente no bolo da área, com um jogador(Vinicius) marcando a zona na primeira trave.
O Ceará se posicionou no habitual 4-4-2 em linhas, porém, pela necessidade de propor o jogo e tentar atacar/agredir o Náutico, acabou deixando muitos espaços na intermediária defensiva. Troca de ação ofensiva-defensiva e transição ataque-defesa com muita lentidão, e sistema defensivo exposto aos agudos e acelerados contra-ataques pernambucanos. Nem de longe lembrava aquele Ceará da Copa do Brasil, que tinha como principais virtudes a agressividade na marcação independente da altura dos blocos, compactação curta e balanceamento perfeito das linhas para o lado atacado. Porém, era até previsível que isso fosse acontecer pelas circunstâncias do jogo.
O jogo do Vozão era de posse e progressão em campo ofensivo. Virava bem o jogo da direita para a esquerda, com Nikão abrindo pra trabalhar com Samuel Xavier pelo lado da bola, Eduardo fechando por dentro na intermediária ofensiva, enquanto que Vicente atacava o espaço no setor esquerdo e cruzava procurando a movimentação de Bill entre os zagueiros para a escorada. Em situações em que Ricardinho era o portador da bola e não sofria pressão mais próxima de jogadores alvi-rubros, o Ceará conseguia ter mais criatividade, usando da inteligência, visão de jogo e qualidade na enfiada do camisa 8. Ricardinho procurava a movimentação de Magno Alves no entre-linhas, dando opção para tentar a recepção às costas dos volantes. Em uma ocasião, Ricardinho deu um lançamento vertical buscando a ruptura nas costas da defesa do Náutico. Bill traçou a diagonal curta, se projetou às costas dos zagueiros porém, não conseguiu concluir bem em gol.
A entrada de Lima no lugar de Bill na segunda etapa, deu mais mobilidade ao ataque do Ceará. Lima procurava espaços para fazer o pivô, buscava o entrelinhas para tabelar e oferecer linha de passe e escorava bem a primeira bola nas ligações diretas. O Náutico recuou ainda mais suas linhas, se fechando em campo defensivo e procurando retenção de bola quando estava em campo ofensivo. Os cearenses ainda descontaram com Magno Alves, porém, não conseguiram o empate.

Análise tática: Sport 3 x 1 Santos!

Heatmap- Felipe Azevedo(Sport x Santos).

 Na vitória por 3 a 1 diante do Santos, o Sport voltou a ter novamente a compactação defensiva que é pilar desse time comandado por Eduardo Baptista, que desta vez, escalou a equipe sem um centroavante fixo no 4-2-3-1, deixando Neto Baiano no banco e utilizando Felipe Azevedo mais à frente, saindo bastante da área para gerar espaços, procurando as jogadas pelos lados e oferecendo linha de passe curta ao portador da bola na ponta. No heatmap acima, pode-se observar a movimentação de Azevedo, se deslocando preferencialmente para o flanco esquerdo do ataque.

Sport- Compactação curta, duas linhas de 4, balanceamento defensivo.

Sem a bola, o Sport marcava num 4-4-2, com Ibson e Felipe Azevedo pressionando os volantes e zagueiros na saída de bola santista mais ao centro, iniciando a marcação em bloco médio-alto, subindo os encaixes dos wingers em cima dos laterais adversários quando o Santos tentava abrir o jogo em campo defensivo ou buscar a saída pelos lados. A marcação rubro-negra caracterizava-se pela compactação curta entre as linhas de defesa e meio, balanceamento das mesmas em função da movimentação da bola e de acordo com a progressão adversária na intermediária defensiva leonina, recolhia suas linhas e colocava 8 jogadores atrás da linha da bola, deixando Felipe Azevedo e Ibson mais à frente, sem auxiliar tanto na compactação da equipe em campo defensivo, apesar de que Ibson também ajudava nas recuperações/retomadas de bola após as perdas da pelota ainda em campo ofensivo, cortando algumas possibilidades de transição ofensiva adversária.

O Santos se portava num 4-1-4-1, marcando em duas linhas e com bola, Arouca tendo liberdade de transitar entre as intermediárias, chegando mais à frente, subindo pelo lado esquerdo do ataque por vezes, puxando a transição defesa-ataque pela faixa central e dando o passe mais na frente; Lucas Lima indo de fora pra dentro, recuando e encostando nos volantes para receber mais atrás na intermediária ofensiva, procurando o arranque vertical e a movimentação entre as linhas de meio e ataque. O lado direito, o mais forte do ataque santista, que costuma ter as ultrapassagens de Cicinho por fora e por dentro, também buscando a tabela na diagonal pro meio foi anulado pelo técnico Eduardo Baptista que usou Danilo(jogador de muita força, preparo físico e velocidade) para acompanhar Cicinho no setor e bloquear a saída com o mesmo. O Alvi-Negro Praiano tinha dificuldades para propor o jogo e encaixar o passe vertical entre-linhas diante das compactas linhas pernambucanas, limitando-se muitas vezes a trocar passes lateralmente em campo defensivo ou nos trechos iniciais do campo ofensivo, sem movimentações de maior destaque para tentar criar espaços na defesa adversária. Só conseguia chegar com maior perigo nos contra-ataques e foi em um destes que saiu na frente, com  Arouca dando o passe de ruptura e acionando Thiago Ribeiro pelo lado esquerdo da área nas costas de Patric, conseguindo a vitória pessoal pra cima do zagueiro da cobertura(Ferron) e tocando na saída de Magrão.
Inicialmente, o Leão da Ilha tentava atacar preferencialmente pelos flancos, porém, apresentava dificuldades para manter posse de bola e circulação da mesma no campo de ataque e os erros de passe/tomada de decisão nas jogadas, também dificultavam a ruptura na defesa adversária. Até que Patric deixou tudo igual no placar em inteligente movimentação. Intensidade, mobilidade e ocupação de espaços são características essenciais de Patric.
Análise tática- Gol do Sport(Patric).
Sport rouba a bola ainda em campo ofensivo com Durval. Danilo carrega e tem a opção do passe em profundidade para Renê, que se projeta paralelamente em direção à linha de fundo. Porém, o camisa 14 opta pelo cruzamento. 4 jogadores leoninos se apresentam, igualando numericamente com a quantidade de defensores santistas. Patric infiltra de trás, atacando o espaço entre dois jogadores e cabeceando sem chances de defesa para o goleiro Aranha.

Para a segunda etapa, Eduardo Baptista sacou Erico Junior para a entrada de Vitor, que atuou mais recuado(na lateral-direita), avançando Patric para atuar como winger no 4-2-3-1 e forçar pra cima do lateral-esquerdo Zé Carlos, que se mostrava vulnerável defensivamente. E a estratégia deu certo. Em outra movimentação inteligente, Patric virou o jogo para o Leão.

Análise tática- Gol do Sport(Patric) 3

Em cobrança de falta ainda em campo defensivo, Durval(que é muito forte nesse recurso de ligação direta) fez um ótimo lançamento diagonal para Patric, que infiltrou no facão em diagonal, penetrando entre Zé Carlos(lateral do extremo oposto ao do lançamento que basculou com a linha defensiva no lance) e David Braz para finalizar para as redes. Essa jogada já tinha dado certo contra o Atlético-MG, onde o winger do flanco direito/oposto(no jogo em questão era Felipe Azevedo) fez movimento semelhante para receber e marcar. Aliás, já tinha sido testada até mesmo contra o Botafogo com lançamento de Durval pra Erico Junior, porém, sem o mesmo êxito.

Com o gol adversário, Enderson Moreira saiu do 4-1-4-1 e mudou para o 4-2-3-1, com a entrada de Gabriel na vaga de Alan Santos. Gabigol passou a atuar mais aberto pela direita, “empurrando” Lucas Lima para a faixa central do campo, com o intuito de dar mais liberdade para o mesmo. Também tentava forçar pela esquerda com as arrancadas de Rildo pra cima de Vitor. O Sport reforçou proposta reativa/contragolpista, buscando se compactar na intermediária, com entrega total de seus jogadores na marcação e sair em velocidade no contra-ataque. Passou a ter um poder transicional maior, encontrando mais espaços na defesa santista. Ficou visível que sem um centroavante fixo, o time fica mais leve, móvel, rápido e mais efetivo nos contra-ataques, o que é ideal para quando se precisa jogar em velocidade e no erro adversário. Depois do sufoco com dois gols santistas anulados e ainda situações perigosas criadas pelo adversário na bola aérea ofensiva, o Sport matou o jogo nos minutos finais, com mais um de Patric, em rápida puxada de contra-golpe.

Análise tática- Gol do Sport(Patric) 2.

Danilo carrega pela direita e aciona Patric em profundidade nas costas da defesa. Arouca se desloca para acompanhar o camisa 12 rubro-negro e abre o espaço para a infiltração de Felipe Azevedo, livre de marcação pelo meio da área, dando opção de cruzamento/passe rasteiro, pois estava bem posicionado para possivelmente concluir. Azevedo, além da mobilidade, também buscava dar opção de passe vertical nos contragolpes e se projetar nas costas da marcação. No lance, Patric conseguiu se desvencilhar da marcação de Arouca e finalizar cruzado, no canto direito do goleiro Aranha.

 

 

Análise tática: Sport 2 x 0 Criciúma!

Prancheta- Sport 2 x 0 Criciúma.

Depois da goleada sofrida para o Fluminense, o Sport voltou a vencer no Campeonato Brasileiro. O Leão da Ilha bateu o Criciúma por 2 a 0 e terminou a rodada na 7ª colocação, com 28 pontos e próximo do G-4.
O Sport entrou no habitual 4-2-3-1, com Felipe Azevedo e Danilo abertos e Zé Mário(substituiu Diego Souza aos 9 minutos de jogo) por dentro na linha de 3. A postura e comportamento tático do Sport era irreconhecível. Muito passivo, sem agressividade na marcação, com dificultadades para se compactar na intermediária, dando muitos espaços no entre-linhas, às costas dos volantes e muito passivo em campo, aceitando a posse, imposição e domínio territorial do Criciúma, que tentava propor o jogo e empurrar o Sport para trás. Com a bola, errava muitos passes, não conseguia puxar a transição em velocidade e quando tinha posse no setor ofensivo, também não conseguia agredir o Criciúma pela ausência de espaços, falta de alternativas e de movimentação para gerar espaços. Destaque positivo para Rithely taticamente no jogo de ontem. Muita intensidade, marcação, chegada à frente vindo de trás, além de ótima impulsão, tempo de bola e movimentação na área nas situações de bola aérea ofensiva.
O 4-2-3-1 do Criciúma muitas vezes fechava um 4-1-4-1 sem a bola, com Cléber Santana recuando e se alinhando na mesma altura dos volantes. O Tigre marcava geralmente em bloco médio/baixo, negando espaços, fazendo perseguições/encaixes no setor, com os volantes basculando para o lado da bola e o winger oposto fixando-se no lateral oposto da equipe rubro-negra. Com a bola, procurava a movimentação de Souza, que saía do comando de ataque, buscava jogo, oferecia linha de passe vertical ao portador da bola, circulava entre as linhas de defesa e meio do Sport pelo centro(entre os zagueiros e volantes), tentava abrir espaços e fazia o pivô geralmente com Cléber Santana vindo de frente pra aproximação. Tigre também tentava chegar com força pelos lados, com Rafael Costa e Eduardo pela direita e Bruno Cortez atacando o corredor aberto pela diagonal de Lucca na esquerda.
Prancheta- Sport segundo tempo x criciúma.
Para o segundo tempo, Eduardo Baptista colocou Patric no lugar de Zé Mário, centralizando Felipe Azevedo e passando a jogar com dois laterais de origem pelos dois extremos do 4-2-3-1. Patric pela direita e Danilo pela esquerda. O Leão teve mais intensidade, mais pegada e em 6 minutos, fez dois gols que liquidaram a fatura. Um deles, marcado por Danilo, saiu explorando um ponto forte rubro-negro que acabou ficando meio escondido com o tempo: O contragolpe em velocidade O time leonino recuou mais suas linhas e voltou a ter aquela compactação defensiva que é característica do Sport desde que Eduardo Baptista assumiu a equipe. Compactação curta entre as linhas de meio, marcando na própria intermediária defensiva, fechando e ocupando muito bem todos os espaços do campo e impedindo a penetração e passe vertical entre-linhas adversário. O Criciúma tentou correr atrás do resultado, porém, foi pouco agressivo e efetivo. Por sua vez, o Sport manteve a firmeza e pegada na marcação, prendeu bola no campo de ataque e fez o suficiente para assegurar a vitória.

Análise tática: Santa Cruz 2 x 0 Atlético-GO!

Prancheta- Santa Cruz 2 x 0 Atlético-GO

No Arruda, o Santa Cruz voltou a vencer na Série B, diante do Atlético-GO. Com a vitória por 2 a 0, o Tricolor do Arruda agora ocupa a 11ª colocação na competição.
A Cobra Coral foi num 4-2-3-1 caracterizado pelas inversões de posicionamento na linha de 3, porém, originalmente com Wescley mais aberto pela direita, Natan centralizado e Keno mais à esquerda. Tinha dificuldades para propor o jogo e criar espaços pela congestionada faixa central e tentava atacar pelos lados do campo, principalmente pela equerda, procurando Keno na diagonal e progredindo na direção da linha de fundo às costas do lateral-direito goiano. Sem a bola, não fechava duas linhas de 4 com os wingers descendo pelos extremos, como a maior parte dos times que jogam no 4-2-3-1 atualmente fazem, mantendo o posicionamento alinhado dos seus 3 meias e marcando em bloco baixo, com suas linhas postadas dentro da própria intermediária defensiva.
O Atlético-GO marcava e tentava se compactar no 4-4-2 com duas linhas de quatro, em bloco médio/baixo, fazendo encaixes no setor e balanceando suas linhas para o lado atacado, em função da movimentação da bola. Com a bola, o time era inoperante ofensivamente. Posse sem agressividade, criatividade, nem alternativas de jogo. Concentrava a maior parte de suas chegadas pelo flanco esquerdo com Victor Oliveira e Jorginho. Este último citado era o único jogador lúcido do time goiano, movimentando-se na diagonal da esquerda pra dentro, armando o jogo, buscando tabelas e aproximações pelo meio. O Dragão sofreu muito após o primeiro gol tricolor, já que os donos da casa mantinham a posse de bola, rodando-a com passes laterais e procurando a saída rápida pelos lados, onde a marcação goiana era bastante frouxa.
Na segunda etapa, o Atlético-GO tentou atacar o Santa Cruz e propor o jogo, porém, sem muita organização. O Tricolor do Arruda, com a vantagem numérica no placar, adotou proposta de jogar reativamente, buscando a saída com velocidade nos contragolpes. Em um desses contra-ataques, Pingo marcou o gol que garantiu o triunfo coral.

A evolução do Náutico com Dado Cavalcanti!

Com a chegada de Dado Cavalcanti, é visível a rápida mudança e evolução do Náutico em relação ao que o time era com Sidney Morais. Se tornou uma equipe mais equilibrada, consistente, com melhor definição de seu plano estratégico e também com execução tática mais moderna e objetiva. Os resultados são os melhores possíveis até o momento na Série B. Em três jogos sob o comando de Dado, 3 vitórias! No confronto com o América-RN, pôde-se observar vários aspectos interessantes.

Flagrante- Marcação pressão alta do Náutico.

O 4-3-3/4-1-4-1 do Timbu se caracteriza pela compactação curta entre as linhas de defesa e meio em fase defensiva, subindo a pressão com certa constância, tendo mais agressividade, com 5 jogadores ocupando espaços na intermediária defensiva adversária(com Tadeu sendo a referência para o primeiro combate ao centro), subindo os encaixes(inclusive quando um homem mais avançado adversário recua para dar opção de passe), cercando as linhas de passe, induzindo o oponente ao erro, dificultando a transição adversária da defesa para o ataque e forçando a bola longa. Essa pressão avançada também permite a retomada de bola com maior proximidade em relação ao gol, como no gol marcado por Paulinho, que subiu a pressão no zagueiro adversário que tentou sair jogando.
Na fase de defesa organizada, a equipe abaixa o bloco e mantém a compactação. Quando o adversário inicia o ataque por um dos lados, a linha defensiva e o tripé de meio(com o volante do lado atacado encostando mais próximo no setor para fechar o espaço e dar o combate) basculam para esse lado(em função da movimentação da bola), porém, o ponta do lado oposto raramente fecha na cobertura por dentro para que a linha de meio possa balancear corretamente. Os pontas alvirrubros possuem uma referência individual por setor quase que fixamente nos laterais adversários, limitando-se muitas vezes a somente encaixar nos mesmos quando estes atacam, porém, quando eles não sobem para o apoio, os pontas por vezes acabam não participando ou colaborando com a ação defensiva. Uma das dificuldades da defesa do Timbu é com bolas longas e enfiadas de bolas para as beiradas nas costas de seus laterais.
É um time que sabe jogar reativamente, tem velocidade na saída pro jogo, contragolpes perigosos, boa puxada da transição defesa-ataque, a começar pela rápida reposição do goleiro Júlio César e pontas de velocidade bem abertos pelos flancos para dar amplitude ao ataque(principalmente Marinho, enquanto que Sassá também busca o corte pra dentro e o passe diagonal lado-centro). No meio-campo, a movimentação de Vinicius(que pode ser vista no heatmap abaixo) merece certo destaque. Circula bastante na intermediária ofensiva, aparece pelos lados para tentar a jogada, busca a aproximação, abre o jogo do centro pro flanco…
Mapa de calor- Vinicius.