Análise tática: Sport 1 x 0 Santa Cruz!

POSICIONAMENTO 1(69)

Na final do Campeonato Pernambucano, teremos um duelo de gigantes: Sport x Náutico. O Leão da Ilha sofreu, mas venceu o Santa Cruz por 1 a 0 com gol de Leonardo aos 42 minutos da segunda etapa, levando a partida para os pênaltis, onde o rubro-negro sacramentou a vaga na grande final.

O Santa entrou no 4-3-1-2 losango, com uma proposta de jogo voltada para o contra-ataque e para a valorização da posse da pelota quando a mesma estivesse em seu domínio. Sem a bola, alternava sua marcação entre o combate adiantado à saída do Sport, subindo os encaixes individuais e fechando as linhas de passe, e a marcação com as linhas mais recuadas, dentro de seu próprio campo. Léo Gamalho fazia o cerco inicial em cima de Ferron e/ou Durval ao centro, enquanto que Flávio Caça-Rato adiantava o combate à saída de Patric e o acompanhava até o fundo quando mesmo subia para o campo de ataque. Rodrigo Mancha muitas vezes, batia de frente com Luciano Sorriso, enquanto que Raul(que por vezes, alinhava-se com Léo Gamalho e Flávio Caça-Rato na linha inicial de marcação/pressão) duelava individualmente com Ewerton Páscoa, em certos momentos. A fase de defesa organizada coral caracterizava-se pelo congestionamento na intermediária, ocupação/redução dos espaços do campo, cerco às proximidades do setor/região da bola, marcação bem encaixada e rara inferioridade numérica nos setores.

Quando retomava a posse de bola, tentava sair em velocidade pro ataque, com as tentativa de arranque de Flávio Caça-Rato pelo flanco direito ou numa diagonal para o meio, além dos deslocamentos constantes de Léo Gamalho buscando a recepção de bola na ponta e/ou recuo para buscar jogo, geralmente acompanhado individualmente por um dos zagueiros, dependendo também do setor onde caía em tal jogada/situação. Como o Sport não apertava muito, nem intensificava a pressão, o Tricolor fazia a bola rodar pelo ataque, trocando passes laterais, recuando e buscando a manutenção da mesma em sua posse ou circulação no meio-campo.

O Sport utilizou seu costumeiro 4-2-3-1, porém, com Wendel aberto no lado esquerdo do ataque, assim como fez no primeiro tempo do confronto contra o Ceará pela final da Copa do Nordeste. Os erros de passe, problemas na leitura de jogo para a ação por parte do portador da bola e tomadas de decisão equivocadas em certos momentos, dificultavam a criação de jogadas rubro-negra. O time leonino tentava chegar pelos lados, explorando constantemente as ultrapassagens de Patric e Renê buscando as jogadas na ponta, além da projeção de Rodrigo Mancha e Ewerton Páscoa mais à frente, com o segundo podendo cair pela direita para formar uma pequena sociedade triangular e tentar criar vantagem numérica. Aílton, bem marcado, não tinha espaço para criar e tentava se deslocar, recuando na intermediária e aproximando-se da linha de volantes. Essa falta de um meia-central agudo e rápido pode acabar inferferindo, porém, o problema da leitura de jogo do homem da bola também era presente, já que pelo menos em duas ou três oportunidades observadas, Wendel partia da esquerda buscando o facão em diagonal no espaço entre o lateral-direito Oziel e o miolo de zaga tricolor, porém, não foi municiado através de lançamento ou enfiada de bola. Outro exemplo: Quando a posse de bola se concentrava no centro do campo e um jogador aparecia dando opção para alargar o campo, livre de qualquer marcação ou encaixe individual, raramente era municiado. Percepção de jogo é algo fundamental no futebol moderno.

Os donos da casa pressionavam, tinham maior volume de jogo, posse de bola, porém, dificuldades para penetrar e progredir verticalmente diante das compactas linhas tricolores. Eduardo Baptista colocou Bruninho, Renan Oliveira e Leonardo nas respectivas vagas de Felipe Azevedo, Wendel e Aílton. As entradas de Renan e Leonardo melhoraram o ritmo e a mobilidade da equipe entre suas faixas de meio-campo e ataque. Renan Oliveira circulava ora no lado esquerdo para dobrar com Renê, ora por dentro, buscando movimentação na intermediária ofensiva. Leonardo, centroavante de origem, atuava mais fora da área, com boa movimentação e por vezes caindo pelo extremo esquerdo. O Santa Cruz recuou ainda mais suas linhas, marcando muitas vezes, com quase todo seu time atrás da linha da bola.

Leonardo também mostrou bom posicionamento quando necessário. No gol leonino, aproveitou o “passe” de cabeça do zagueiro Ferron para mandar para o fundo das redes do goleiro Tiago Cardoso. Nos pênaltis, brilhou a estrela do experiente e talentoso goleiro Magrão, que mais uma vez, fez a diferença para a equipe rubro-negra.

 

Análise tática: Náutico 1 x 0 Salgueiro!

POSICIONAMENTO 1(67)

O Náutico garantiu sua vaga para a final do Campeonato Pernambucano ao vencer o Salgueiro por 1 a 0. Foi um duelo difícil, principalmente no aspecto estratégico, devido à forte marcação do Salgueiro no meio-campo, neutralizando as investidas verticais do Timbu. Com gol do meia Vinicius, o time alvi-rubro levou o jogo para os pênaltis, onde venceu por 5 a 3.

O Salgueiro tinha a proposta de jogo baseada no encurtamento de espaços no meio-campo, marcação geralmente em bloco médio, com as linhas dentro de sua própria intermediária, porém, adiantando o combate à saída de bola alvi-rubra em algumas situações, onde Everton dava o primeiro combate ao centro e Kanu fazia o cerco inicial no lado esquerdo à tentativa de saída para o ataque com o lateral-esquerdo Raí.

O time sertanejo marcava com encaixes individuais por setor, de modo que o marcador mais próximo de tal jogador encostava no mesmo e o acompanhava até o fim da jogada, inclusive quando este buscava se deslocar para outro setor para dar opção de passe ou aproximar-se do portador da bola para tentar criar uma linha de passe mais próxima. Os meias também auxiliavam em fase defensiva, combatendo e cercando de perto os volantes alvi-rubros. No lado esquerdo defensivo, Pery muitas vezes batia de frente com João Ananias, inclusive adiantando o combate em cima do mesmo pelos lados da intermediária.

O grande problema do Salgueiro era a transição entre os setores quando tinha a posse de bola, talvez pelas limitações técnicas de seus jogadores, de modo a comprometer a qualidade da circulação de bola, apostando muito na bola longa pro ataque e na fase organizada de seu ataque, não demonstrava a inteligência necessária para prender, segurar ou simplesmente manter a pelota circulando em sua posse, muito menos movimentação visando a penetração. O atacante Everton tentava sair de seu posicionamento para buscar jogo e se movimentar nas pontas, porém, não recebia auxílio, de modo a ter que resolver na individualidade, onde levava desvantagem.

O Náutico se posicionava a partir de um 4-3-3/4-1-4-1, com Dê funcionando como primeiro-volante, Elicarlos saindo mais pro jogo nas proximidades da meia-direita e Yuri na mesma altura dele, só que um pouco mais à esquerda originalmente. Os pontas alvi-rubros tinham liberdade de deslocamento, com Paulo Júnior aparecendo em diagonal na grande área em cruzamentos originários do lado oposto e Zé Mário buscando movimentação/incursão pelo meio da cancha, além de aproximação com os volantes. Por vezes, Zé Mário e Paulo Júnior faziam a inversão de posicionamento para tentar surpreender o sistema defensivo adversário. O lado mais explorado era a direita com constância na passagem do lateral João Ananias.

Sem a posse de bola, o Timbu costumava formar duas linhas de quatro, com o recuo de Zé Mário e Paulo Júnior pelos lados, porém, sem exigir grandes esforços na recomposição. Por vezes, a equipe alvi-rubra tentava exercer pressão na saída de seu oponente, de modo a obrigá-lo a usar da ligação direta(muito mais pela falta de qualidade técnica do Salgueiro do que pela marcação avançada, já que o Náutico não tinha tanta voracidade nem intensidade na pressão).

POSICIONAMENTO 1(68)

No segundo tempo, o técnico Lisca fez mudanças na sua equipe, com as entradas de Vinicius e Geovane, nas respectivas vagas de Elicarlos e Paulo Júnior. Zé Mário passou a atuar mais centralizado, se projetando à frente junto com Yuri. Vinicius atuou mais no corredor direito, buscando dar mais movimentação e velocidade no setor, enquanto que Geovane buscou mais o flanco esquerdo do ataque, com jogadas na ponta. O gol do Náutico se originou justamente de uma jogada individual de Vinicius no lado direito da grande área.

O Náutico demonstrou mais uma vez que tem dificuldades na construção de jogadas e “jogar para buscar um resultado”. Por sua característica, por natureza, é um time que funciona melhor “jogando em reação”, ou seja, compactando-se sem a posse de bola, acelerando a transição/contra-golpe nas costas da defesa e explorando o erro de seu adversário. Porém, também impressionou a frieza da equipe, mesmo tão jovem, nas cobranças de pênalti, em um momento tão decisivo. Fruto do ótimo trabalho de Lisca, que vem mostrando ser um treinador com metodologia moderna, interessante, voltada para o trabalho com um elenco mais jovem e visando a formação realmente de um GRUPO humilde e focado nos objetivos.

 

Análise tática: Ceará 1 x 1 Sport!

POSICIONAMENTO 1(66)

Com o empate por 1 a 1 diante do Ceará num Castelão lotado, o Sport se sagrou campeão da Copa do Nordeste 2014. Um título merecido, numa campanha marcada intensamente pela disciplina e comprometimento no aspecto tático. A mudança de estilo e forma de jogar da transição Geninho-Eduardo Baptista foi fundamental para a conquista.

O Ceará entrou num 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo, com Souza e Ricardinho circulando por dentro da intermediária para armar as jogadas e Magno Alves partindo do lado esquerdo e procurando a diagonal para o meio visando o chute ou penetração na grande área. Inicialmente, buscava exercer pressão a partir da intermediária defensiva pernambucana, de modo a obrigar a ligação direta para o ataque, com o lançamento de um dos zagueiros na direção de Neto Baiano para que o mesmo disputasse com os zagueiros cearenses pelo alto.

O 4-2-3-1 rubro-negro tinha sua marcação caracterizada pela presença de encaixes individuais por setor, com Felipe Azevedo e Wendel acompanhando individualmente as passagens de Vicente e Samuel Xavier respectivamente, enquanto que no meio, Páscoa, muitas vezes marcava Souza de perto, Rodrigo Mancha pegava Ricardinho e Aílton encaixando no volante do primeiro passe(Amaral). O atacante Assisinho se deslocava bastante de seu posicionamento original, saindo da direita pra tentar a jogada na diagonal ou a flutuação na intermediária. Quando se movimentava em outra faixa do campo, ou Renê deixava o lado esquerdo para persegui-lo individualmente ou o homem de meio se aproximava de Assisinho para o combate. Geralmente marcava em bloco médio/baixo, buscando mais o encurtamento/redução dos espaços do campo, principalmente nas proximidades do setor da bola, porém, sem ter muita voracidade e intensidade na pressão. Quando adiantava suas linhas para iniciar a marcação no campo inimigo, Neto Baiano era a referência para dar o primeiro combate ao centro, volantes podiam avançar o bote na intermediária ofensiva leonina, enquanto que os wingers podiam subir o encaixe nos laterais para tentar impedir a progressão ou cercá-los, em caso de abertura de jogada.

Sempre que articulava seus contra-golpes, o Ceará chegava com perigo. E estes geralmente se originavam de erros primários do Sport, como o passe na intermediária ou até mesmo em cobranças de escanteio, onde o time pernambucano falhava em não deixar um jogador mais próximo da entrada da área para o rebote, reorganização da jogada ou apenas manutenção da posse de bola, portanto, nesses casos, a sobra de bola quase sempre era do Ceará, que acelerava rapidamente sua transição, muitas vezes com três jogadores subindo inicialmente para pegar a defesa do Sport desprevenida, já que em fase de recomposição, tenderia a ter maior vulnerabilidade. Rapidez na transição entre os setores e exploração de espaços nas costas da defesa adversária sempre foram características marcantes do Ceará nessa Copa do Nordeste.

O Ceará era mais agressivo e tinha melhor circulação de bola pelo chão, tentando encontrar espaços para jogar. O Sport apresentava problemas na transição defesa-ataque pelos erros no passe e nas tomadas de decisões. Quando tinha a bola, buscava mais a valorização de sua posse, através de passes laterais e contando com o recuo constante de Aílton para a linha dos volantes para receber a pelota e continuar a rotação da mesma pelo meio. O gol do Ceará se originou de uma falha de Ewerton Páscoa, que no lance acompanhava Magno Alves individualmente quando o mesmo chegava frontalmente para tentar a conclusão de um cruzamento originário do lado oposto ao dele(lado direito), porém, Páscoa “dormiu”, o Magnata se antecipou e mandou para as redes.

Na segunda etapa, o gol do Sport, logo no início, acabou com qualquer chance de título do Ceará. Contou com a incursão de Patric por dentro, um dos pontos fortes do lateral rubro-negro e a chegada de Aílton mais à frente nas costas dos zagueiros, que resultou no pênalti do goleiro Luis Carlos em cima do camisa 10 leonino, convertido por Neto Baiano. Eduardo Baptista já tinha feito uma substituição: Colocou o lateral-esquerdo Igor Fernandes no lugar de Wendel. Igor cumpria a mesma função tática defensivamente, dobrando o combate na esquerda com Renê, acompanhando as proximidades do setor e as passagens de Samuel Xavier. Ao Sport, restou administrar o resultado e garantir o título. Dois times muito interessantes taticamente que travaram um belo duelo na parte estratégica, com vitória pernambucana.

Análise tática: Borussia Dortmund 2 x 0 Real Madrid!

POSICIONAMENTO 1(63)

Na Alemanha, Borussia Dortmund e Real Madrid se enfrentaram pelo jogo da volta das quartas-de-finais da UEFA Champions League. Os donos da casa venceram por 2 a 0, mas a vaga para as semi-finais ficou com a equipe espanhola. A proposta de jogo do Dortmund na partida foi a tônica do futebol moderno, com intensidade na pressão, coordenação e inteligência em seus movimentos em todas as fases do jogo e exploração dos espaços do campo, afinal, como alguns já diriam, futebol nada mais é do que a ocupação inteligente de espaços.

O time aurinegro marcava com duas linhas de quatro bem compactas, setores próximos e pontualidade na subida de pressão. Costumava iniciar a marcação a partir da intermediária defensiva espanhola, com dois homens na primeira linha de pressão, um deles cercando o lado da jogada, o do lado oposto fechando por dentro, os wingers adiantando o combate cima dos laterais em caso de abertura de jogada, volantes combatendo/cerrando as linhas de passe centrais, avançando o bote pelo meio, enquanto que a linha defensiva também subia até a intermediária defensiva. A marcação-pressão alta dos alemães buscava impedir a transição/progressão do adversário entre seus setores, limitá-lo a passes laterais ou à ligação direta para o ataque e a retomada de bola com maior facilidade ou até com uma certa proximidade em relação ao gol. Pressão sob o portador da bola também era uma característica essencial, quase sempre com pelo menos um jogador chegando para o combate e criando uma barreira frontal ao homem da bola. Por vezes, exercia uma blitz altamente voraz, cercando/pressionando o setor/região da bola com dois ou três jogadores em cima.

A fase de defesa organizada dos alemães se caracterizava pelo abaixamento do bloco, marcação por zona, combate dobrado pelos lados do campo, com o winger indo para o primeiro combate em cima do lateral, volantes combatendo na tentativa de incursão na diagonal pro meio ou passe para alguém posicionado mais perto da faixa central do gramado, winger do flanco oposto centralizando, lateral do lado da jogada saindo para marcar as proximidades do setor e o do extremo oposto fechando no miolo de zaga. Independente da altura dos blocos, a compactação alemã era de impressionar, fechando e ocupando bem todos os espaços e desta forma, impedindo a penetração nos corredores entre as linhas.

Com a posse de bola, o modelo de jogo do Borussia Dortmund se caracterizava pela intensa movimentação de seus jogadores, agressividade, verticalidade/objetividade, deslocamentos, aproximações para a criação de linhas de passe, rapidez na transição defesa-ataque e saída de bola qualificada, contando com o recuo de um dos volantes(normalmente Kirch) ao centro para receber a pelota vinda dos zagueiros e organizar o primeiro passe. Marco Reus circulava por todo o ataque, caindo pelo flanco esquerdo, buscando jogadas verticais e chegando entre os zagueiros e volantes madrilhenhos. Mkhitarian, posicionado a partir da direita sem a bola, centralizava bastante com a bola, principalmente quando a jogada ocorria por um dos lados do campo e ele chegava na área como opção para a conclusão. Lewandowski também tinha muita mobilidade, saindo da área com constância, tabelando com os homens de meio e procurando espaços mais atrás para fazer o pivô, dar continuidade às jogadas ou tentar a finalização.

O Real Madrid se posicionava num 4-3-3, com Di María e Bale nas pontas e Benzema mais à frente, porém, formando um 4-1-4-1 quando perdia o domínio da bola, com seus ponteiros voltando pelos lados do campo e alinhando-se com Modric e Illaramendi, com estes mais centralizados. A marcação merengue geralmente tinha posicionamento em bloco médio/baixo, raramente avançando suas linhas para marcar de forma mais avançada, e costumava flutuar para o lado da jogada, de acordo com a movimentação da bola. Sua proposta de jogo era claramente contra-golpista, tentando criar suas oportunidades nos contra-ataques, quando teoricamente a defesa adversária estaria em fase de recomposição e um pouco mais vulnerável.

Com a bola, não conseguia desenvolver seu estilo de jogo vertical e agressivo diante das compactas linhas alemães. Buscava mais a valorização da posse de bola no meio-campo, com Xabi Alonso cuidando do primeiro passe e distribuição da pelota mais recuado na intermediária, Modric e Illarramendi auxiliando na circulação da bola e jogadores tentando deslocamento para formar linhas de passe e manter a pelota em domínio merengue.

O Dortmund de Jürgen Klopp deu uma aula de tática e de futebol contra o Real Madrid de Carlo Ancelotti. Realmente uma pena não ter conseguido a classificação para as semi-finais.

Análise tática: Santa Cruz 3 x 0 Sport.

POSICIONAMENTO 1(62)

No Estádio do Arruda, Santa Cruz e Sport duelaram pelas semi-finais do Campeonato Pernambucano. Com uma estratégia eficiente, explorando os erros do Sport, o Tricolor levou a melhor e venceu por 3 a 0. Com o resultado, tem a vantagem do empate para o jogo da volta, porém, no regulamento, saldo de gols não entra como critério de desempate.

O Santa Cruz entrou num 4-3-1-2 com formato de losango no meio-campo, que iniciava a marcação a partir da intermediária ofensiva, na saída de bola do Sport, combatendo na abertura de jogada para os laterais Patric e Danilo e o volante do primeiro passe(geralmente Ewerton Páscoa) quando o mesmo recuava para receber a pelota à frente dos zagueiros e vinda dos mesmos. Léo Gamalho era a referência para o primeiro combate ao centro e por vezes, Raul se adiantava e formava uma linha de pressão de 3 jogadores, através de seu alinhamento com Gamalho e Flávio Caça-Rato. Em alguns momentos, o time coral abaixava a pressão e dava mais espaço para que os zagueiros Ferron e Durval saíssem jogando, através de progressões verticais curtas, tentando encontrar alguém livre para fazer um passe ou circulando a bola entre eles no campo de defesa e esperando um momento para o passe com a aproximação de alguém.

A marcação coral conseguiu anular a força rubro-negra pelo seu flanco direito(onde costumeiramente o Sport faz boas jogadas através da dobradinha entre o lateral Patric e o extremo Felipe Azevedo), através da vitória pessoal do lateral-esquerdo Zeca no duelo individual contra Azevedo e no acompanhamento individual de Patric, com o retorno de Flávio Caça-Rato sem a bola para acompanhar a sua projeção no campo de ataque. Além disso, Patric tinha problemas na composição da linha de 4 com rapidez, deixando espaços em suas costas, principalmente na diagonal, de modo a exigir o deslocamento do zagueiro Ferron para a cobertura/combate.

A proposta de jogo coral visava o contra-ataque/transição rápida pelos lados do campo, usando lançamentos e enfiadas de bola, e na fase organizada de ataque, buscava a valorização/circulação da posse de bola no seu meio-campo e uso nas passagens dos laterais, tanto com Oziel pela direita como com Zeca pela esquerda, além da movimentação constante de Léo Gamalho, saindo bastante da área, abrindo na ponta para tentar criar e buscando espaços para finalizar ou trabalhar de costas, no pivô. Flávio Caça-Rato circulava por todo o ataque, recuando para o meio, buscando aparições por dentro do ataque e caindo pelos lados para a recepção de lançamentos, principalmente na direita, nas costas de Patric.

A entrada de Rithely no time titular do Sport, no lugar que era de Aílton, fez com que o Leão da Ilha perdesse em controle de bola, cadência no meio-campo e também em poder de construção de jogadas. Os erros na intermediária e na saída pro jogo dificultavam bastante com que a transição entre os setores ocorresse com qualidade e conseqüentemente, que a bola pudesse chegar limpa ao ataque. Rithely alternava bastante de posicionamento, ora postado à frente de Páscoa e Mancha, ora formando quase que um tripé no meio com os mesmos e caindo, por vezes, mais próximo da meia-direita.

Sem a bola, o Sport tinha uma marcação que visava mais a ocupação e o preenchimento dos espaços no meio-campo do que a pressão, ou seja, não era uma marcação voraz e permitia que o Santa circulasse a bola entre seus jogadores, porém, tentava reduzir os espaços para a penetração e progressão vertical na direção da área. A equipe leonina normalmente marcava em bloco médio, com suas linhas postadas dentro de sua própria intermediária e Neto Baiano geralmente fazendo o cerco inicial mais à frente, médios podendo adiantar o combate, encaixes individuais por setor, inclusive quando jogadores corais saíam de seu posicionamento original para dar opção/linha de passe e/ou buscar jogo mais atrás e o jogador que estivesse mais próximo do homem que se deslocava era quem cercava-o ou o acompanhava de perto. Também podiam se formar duas linhas de quatro, com Rithely recuando por dentro, Felipe Azevedo e Ananias abertos, um dos volantes um pouco mais contido e o outro mais adiantado pelo meio, ou por vezes, quase que uma linha de 5 jogadores no meio-campo, ou seja, em números, algo próximo de um 4-1-4-1, nessas situações.

Na segunda etapa, o Santa Cruz soube usar de sua inteligência para fazer o resultado, jogando em velocidade no contra-ataque, com mais movimentação entre suas faixas de meio e ataque e também maior agressividade com a posse de bola em relação ao primeiro tempo. Sem a bola, marcava de forma compacta, negando espaços e contando com participação e muita dedicação de seus jogadores. O Sport sofreu na articulação de jogadas pela pouca qualidade de sua saída de bola, criatividade limitada de Renan Oliveira(que partia do centro da cancha, por vezes, buscava jogadas pelos flancos, mas se distanciava muito do gol), além de ter perdido em pegada e recuperação de bola no meio-campo com a saída de Rodrigo Mancha e a entrada de Aílton. Os méritos do Santa Cruz, a falta de equilíbrio e as deficiências apresentadas pelo Sport em seu modelo de jogo ofensivo, além dos erros de Eduardo Baptista nas substituições, marcaram a partida.

Análise tática: Sport 2 x 0 Ceará!

POSICIONAMENTO 1(59)

Na Ilha do Retiro, o Sport deu um importante passo para o título da Copa do Nordeste 2014, ao vencer o Ceará por 2 a 0, no jogo de ida da final. Apesar do maior volume de jogo e posse de bola do time cearense, o Sport teve mais inteligência na parte estratégia, marcando com as linhas predominantemente postadas dentro de sua própria intermediária e tentando encontrar espaço num contra-ataque. Ou seja, proposta de jogo claramente “reativa”, buscando jogar no erro de seu adversário.

O Ceará se posicionava numa espécie de 4-3-1-2 losango, com Ricardinho recuando um pouco mais e aproximando-se de João Marcos para a recepção do primeiro passe vindo do mesmo, ou seja, era o “carrillero” mais participativo na saída de bola e que também comandava a distribuição da pelota pela meia-cancha cearense. Rogerinho se projetava mais à frente, ora por dentro, ora nas proximidades do lado esquerdo do ataque. Magno Alves se movimentava intensamente, procurando principalmente as incursões pelo meio, nas costas dos volantes adversários, visando geralmente, o chute de fora de área, porém, também caindo pelos lados, em algumas situações.

A equipe cearense tinha qualidade para fazer a bola rodar com qualidade pelo ataque, porém, apresentava problemas na penetração, principalmente por causa dos erros nas fases finais de construção de jogadas. Por vezes, tentava a jogada pelos flancos com as investidas de Samuel Xavier e Vicente, porém, sem muito sucesso. Outra dificuldade da equipe era a transição defensiva, por causa da lentidão na recomposição, deixando espaços em seu sistema defensivo para o contra-ataque do Sport.

O Leão da Ilha entrou no habitual 4-2-3-1, que podia fechar duas linhas de quatro sem a bola, com Ananias e Erico Junior acompanhando as passagens de Samuel Xavier e Vicente respectivamente e recuando pelos seus extremos até a altura dos volantes Ewerton Páscoa e Rodrigo Mancha, enquanto que Aílton podia se alinhar com Neto Baiano por dentro. O Sport normalmente marcava em bloco médio/baixo, dentro de seu próprio campo, com Páscoa e Mancha podendo adiantar o combate pelo meio, cercar os espaços do portador da bola ou até fechar linhas de passe. Quando tentava apertar a saída de bola do Ceará, Neto Baiano geralmente era a referência pro primeiro combate ao centro, enquanto que Erico Junior e Ananias encostavam nos laterais em caso de abertura de jogada. A marcação leonina não era voraz, não pressionava tão intensamente e buscava encurtar espaços para a progressão vertical de seu oponente, contando com participação direta de 8 ou até 9 jogadores, com dedicação para combater, cercar espaços e cumprir com as tarefas defensivas. Esse comprometimento tático é algo muito importante no futebol moderno

A proposta de jogo do Sport era jogar no contra-ataque, mas muitas vezes, tinha dificuldades na transição defesa-ataque, principalmente quando o Ceará adiantava suas linhas para tentar pressionar na intermediária rubro-negra, de modo que os defensores leoninos eram obrigados a utilizar da bola longa para o campo de ataque, nessas situações. Aílton também recuava bastante por dentro para ocupar a linha de volantes, receber a pelota e servir de recurso para mantê-la em circulação/posse dos pernambucanos. Buscava-se muito as jogadas com Neto Baiano, que em várias ocasiões, recebia de costas para o marcador, tentando proteger ou encontrar espaço para prosseguir na jogada. Apesar de sua limitação técnica, Neto foi decisivo, marcando o primeiro gol, após assistência de Ananias.

No final, o Sport teve melhora em sua dinâmica e movimentação ofensiva com as entradas de Danilo, que fazia a dobradinha com Renê pelo flanco esquerdo, e Rithely, que deu mais velocidade por dentro, transitando rapidamente entre as intermediárias, conduzindo a pelota de trás nos contra-ataques e alcançando a linha dos meias. Patric também teve participação importante no final, com saída rápida pelo lado direito, boa chegada à frente e no cruzamento para o gol de Danilo.

Análise tática: Sport 0 x 1 Náutico.

POSICIONAMENTO 1(58)

Com a vitória no Clássico dos Clássicos, o Náutico garantiu a liderança do hexagonal final do Campeonato Pernambucano. Nas semi-finais, enfrentará o Salgueiro. A vitória alvi-rubra veio graças ao comprometimento tático da equipe dentro de campo, com pontualidade na recomposição e participação/colaboração de seus jogadores em quase todas as fases do jogo, coisas  que são fundamentais no futebol moderno. Apesar de uma certa inferioridade na parte técnica em relação ao Sport, a ótima execução do plano estratégico compensou bastante.

O Náutico se posicionou a partir de um 4-2-3-1, que formava duas linhas de quatro sem a bola, com Zé Mário e Marinho recuando pelos seus respectivos flancos, alinhando-se com os volantes Elicarlos e Dê, e fazendo o acompanhamento individual nas passagens dos laterais Patric e Renê, enquanto que Roberson podia combater o volante do primeiro passe e se alinhar com Marcelinho(referência para o primeiro combate ao centro) mais à frente. Elicarlos geralmente acompanhava Felipe Azevedo individualmente, inclusive quando o mesmo tentava se deslocar para buscar jogo ou abrir em uma das pontas para dar opção de passe/jogada. O time alvi-rubro apresentava compactação/proximidade entre suas linhas, cercava e ocupava as proximidades do setor da bola, combate dobrado pelos lados, centralização do winger oposto ao flanco da jogada, buscava o encurtamento/redução do espaço territorial rubro-negro e visava impedir suas progressões verticais, de modo que em várias ocasiões, o Sport se limitava às trocas de passes laterais no meio-campo e até mesmo recuos de bola para os zagueiros, tentando manter a posse em seu domínio até encontrar espaço para jogar.

Por diversas vezes, o Timbu avançava suas linhas para exercer pressão na saída de bola do Sport e dificultar a transição leonina entre os setores. A marcação adiantada alvi-rubra se caracterizava pelo combate avançado dos wingers aos laterais rubro-negros, encostando nos mesmos em caso de abertura de jogada; busca pelo fechamento das linhas de passe do portador da bola(geralmente Ferron ou Durval) e criação de “barreiras” próximas aos mesmos, quase sempre com um jogador dando o combate em cima, reduzindo a questão de tempo e espaço para a ação do homem da bola e muitas vezes, obrigando-o a usar da ligação direta para o campo de ataque.

A proposta de jogo do Náutico era claramente contra-golpista, tentando sair em velocidade na transição, com enfiadas de bola para a velocidade de seus wingers pelas beiradas, com investidas nas costas dos laterais e por vezes, exigindo a cobertura dos zagueiros adversários, além da projeção do meia-atacante Roberson por dentro da meia-cancha leonina e movimentação de Marcelinho, tentando achar espaços pra fazer o pivô com a aproximação de algum dos homens de meio.

O 4-2-3-1 do Sport abria Renan Oliveira pelo flanco esquerdo e centralizava Felipe Azevedo. Segundo o técnico Eduardo Baptista, o objetivo foi dar maior movimentação no meio-campo, pela mobilidade de Azevedo, porém, claramente não obteve muito sucesso, até porque a principal característica de Felipe Azevedo é a movimentação pelos flancos, buscando ora a jogada de fundo, ora a diagonal para a grande área, além da dobradinha com o lateral do seu setor. Na direita, tentava chegar com a passagem de Patric e algumas tentativas de jogadas individuais de Bruninho. Na esquerda, Renan Oliveira apresentava uma certa distância em relação à grande área, recuando para buscar jogo próximo aos volantes no centro da intermediária, buscando algumas diagonais curtas para o meio e também tentando algumas jogadas na ponta. Talvez, a questão de desenvolvimento de movimentação em tais setores ou até de característica, tenham influenciado na produtividade de Renan Oliveira e Felipe Azevedo.

Faltava verticalidade/objetividade, movimentação inteligente/deslocamentos visando a abertura de espaço para infiltrações e chegadas de trás, poder de penetração e acerto nas tomadas de decisões, para a equipe do Sport. Os erros de passe no meio-campo prejudicavam a qualidade da circulação de bola e obviamente, das fases de construção de jogadas. A lentidão na recomposição, exigia um maior trabalho na cobertura/preenchimento de espaços/combate e deixava a defesa exposta aos contra-ataques do Náutico.

Lisca coloca um estilo bem típico e tradicional do futebol gaúcho no Náutico. Intensidade da marcação, rapidez na transição, inteligência e objetividade na definição dos encaixes individuais, além de muita obediência de seus jogadores na prática, na execução. Ao Sport, Eduardo Baptista precisa reajustar algumas questões relacionadas ao modelo de jogo, trabalhar mais a parte de soluções/alternativas táticas, pois a equipe leonina acaba se tornando previsível, o que facilita a anulação de seus pontos fortes e exploração de seus erros, por parte dos adversários.