Análise tática: Santa Cruz 2 x 1 Botafogo-PB!

Prancheta- Santa Cruz 2 x 1 Botafogo PB

Em jogo de portões fechados no Arruda, o Santa Cruz garantiu sua classificação à terceira fase da Copa do Brasil(onde enfrentará o Santa Rita-AL) ao bater o Botafogo-PB por 2 a 1, com dois gols de Léo Gamalho. No duelo de ida, realizado em João Pessoa, o resultado havia sido um empate por 1 a 1.

Os dois times foram no mesmo sistema de jogo, o 4-2-3-1. Sem a bola, faziam encaixes com perseguições dentro do setor e proximidades, inclusive com um dos zagueiros saindo da linha defensiva para fazer a caça setorial curta quando Léo Gamalho(que também buscava a movimentação pelos lados) e Frontini saíam da área para buscar jogo na intermediária ou oferecer linha de passe ao portador da bola.

O Santa Cruz marcava em bloco médio/baixo e geralmente sem muita agressividade na marcação. Já o Belo, muitas vezes marcava pressão a partir da intermediária ofensiva desde a saída de bola, subindo encaixes, negando espaços ao passe entre as linhas e forçando os lançamentos para o campo de ataque, de modo a dificultar a transição defesa-ataque tricolor. Porém, uma de suas principais falhas estava no comportamento tático de Rafael Aidar na recomposição pelo flanco esquerdo(por onde inicialmente se posicionou, apesar de ter invertido para o lado direito ainda no primeiro tempo). Em um dos lances de perigo do Tricolor do Arruda, Danilo Pires centralizou, carregando a marcação de um dos volantes, enquanto que o outro volante tentou pressionar o portador da bola(Memo), deixando um buraco no entre-linhas, e Rafael Aidar erradamente tentou dobrar a pressão junto com o volante no homem da bola, ao invés de encaixar no lateral-direito Tony. Carlos Alberto saiu da faixa central e ocupou o lado direito do ataque e atraindo a atenção do lateral-esquerdo Badé. Memo encaixou o passe, Tony viu um grande espaço à sua frente, veio de fora pra incursionar por dentro da cancha e mandar um “torpedo” em diagonal, carimbando o travessão do goleiro. No lance do primeiro gol coral, Memo(volante de muita qualidade no passe e visão de jogo, que iniciava a maior parte das jogadas do Santa Cruz em campo ofensivo) deu a esticada de bola pela direita para Tony, Rafael Aidar não o acompanhou até o final e um dos volantes(cujo qual estava acompanhando Danilo Pires mais de perto na jogada) tentou fazer a cobertura, mas chegou atrasado. Resultado: Tony se projetou na linha de fundo e fez o cruzamento rasteiro para Léo Gamalho, que ganhou na corrida para o zagueiro que estava acompanhando-o individualmente na área, e só escorou para o gol.

Como o técnico Marcelo Vilar bem destacou na entrevista durante o intervalo, o Botafogo-PB passou a ter mais posse e retenção de bola no ataque, após o gol sofrido. Passou a ter mais paciência para propor o jogo, enquanto que o Santa tentava jogar mais reativamente. No gol de empate paraibano, um problema defensivo mostrado pelo Tricolor do Arruda nos jogos anteriores voltou a aparecer: O lado esquerdo da defesa. O Belo atacou às costas de Renatinho(que no lance, tentou subir a pressão no portador da bola), Renan Fonseca se deslocou para o lado da área na cobertura, mas foi driblado por Rafael Aidar, que chegou no fundo e cruzou. Dentro da área, Everton Sena estava projetado para tentar a interceptação do cruzamento, ou mais popularmente falando, “marcando a bola”, enquanto que Tony, lateral do lado oposto que fechou na cobertura, encaixou em Frontini. Resultado: Lenilson apareceu livre de marcação no centro da área para cabecear. O mais apropriado para a situação seria Everton Sena fechar com Lenilson, ou então Memo(volante do lado oposto, que estava mais centralizado e não acompanhou a infiltração do camisa 10 na grande área) fazer isso, deixando Everton tentar a interceptação e Tony com Frontini.

Na segunda etapa, o técnico Sérgio Guedes inverteu o posicionamento de Pingo e Danilo Pires, com o primeiro mais pela direita e o segundo circulando mais à esquerda. Posteriormente, Pingo saiu para a entrada de Natan, que atuou mais centralizado na linha de 3 do 4-2-3-1, dando mais criatividade, dinâmica e movimentação. Com isso, Carlos Alberto foi deslocado um pouco mais pra direita, porém, com liberdade de ir por dentro. O segundo gol tricolor se originou de um belo lançamento em diagonal de Renatinho(que sempre chegava pelo meio e tentava o passe de ruptura) para Léo Gamalho marcar. O Botafogo-PB tentou o empate na base do abafa, apostando principalmente nas bolas paradas laterais, com cruzamentos para a área, porém, a maioria destes eram “à meia altura” e facilmente interceptados. O Santinha adotou proposta contragolpista e se segurou defensivamente para garantir o resultado e a classificação.

Análise tática: Nacional-PAR 2 x 0 Defensor!

Prancheta- Nacional 2 x 0 Defensor.

No Defensores Del Chaco, o Nacional-PAR saiu na frente na disputa pela vaga na grande final da Taça Libertadores da América. A vitória por 2 a 0 diante do Defensor-URU foi fruto da ótima organização estratégica da equipe e da imposição de sua forma de jogo(principalmente no primeiro tempo).

Os paraguaios foram no 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo, tendo mais intensidade e volume de jogo, usando das bolas longas e ligações diretas, e tentando acelerar a transição para pegar a defesa uruguaia com a marcação “atrasada” ou em fase de recomposição. Agradava a intensa movimentação ofensiva. Orué buscava a aproximação com Melgarejo pelo flanco direito do ataque; Torales se projetava por dentro para dar o passe, tabelar ou finalizar de fora da área; Melgarejo também ia na diagonal da direita pro meio e Benítez cortava pra dentro para tentar a aproximação com Montenegro ou quando a bola caía pelo lado oposto; E Montenegro fazia a parede, trabalhava de costas, girava, tocava, abria o jogo… Assim como no lance do gol, onde abriu com Benítez e infiltrou nas costas da defesa para finalizar.

Os uruguaios marcavam com duas linhas de quatro(se transformando num 4-2-3-1 em fase ofensiva) até bem compactadas, com curta distância entre si, balanceamento para o lado da bola e posicionamento de bloco médio para baixo, com suas linhas predominantemente postadas dentro da própria intermediária defensiva. Jogavam reativamente, deixando a equipe paraguaia propor jogo, porém, tinham dificuldades para encaixar o contra-golpe. Nos escanteios defensivos, marcavam individualmente no “meio” na área e dois jogadores marcavam a zona na primeira trave. Já o Nacional-PAR marcava por zona com muitos jogadores nas bolas paradas defensivas. Quando o Defensor tinha a bola nos pés, procurava a transição longa, usando de lançamentos para o campo de ataque na direção de Alonso e procurando bastante a saída com Felipe Gedoz, que buscava a jogada individual pelas beiradas, e De Arrascaeta, que recuava pra receber na intermediária e buscar o arranque nos contra-ataques ou tentar tabelas curtas com Alonso por dentro.

Na segunda etapa, o Defensor-URU inicialmente abriu De Arrascaeta pra jogar pelo lado, com a entrada de Nico Olivera. Com Boghossian atuando junto ao camisa 11, os uruguaios passaram a explorar mais a bola aérea ofensiva. Os paraguaios responderam recolhendo/recuando suas linhas após marcar o segundo gol com Orué, fechando uma linha de 5 jogadores na defesa e adotando uma proposta claramente contragolpista. No final, o Defensor ainda tentou reconfigurar-se para tentar algo, centralizando De Arrascaeta e colocando Luna para jogar mais aberto em algo próximo de um 4-1-3-2, porém, sem nenhum sucesso.

Análise tática: Goiás 0 x 0 Sport!

Prancheta- Goiás 0 x 0 Sport.

Sport e Goiás empataram sem gols em Goiânia. Jogo muito ruim tecnicamente e caracterizado pela falta de criatividade de ambas as equipes, que marcavam de forma bem compactada, mas com a bola nos pés, tinham pouca objetividade e muita dificuldade para encontrar espaços.

Os dois sistemas de jogo eram extremamente semelhantes. 4-2-3-1 em fase ofensiva e 4-1-4-1 quando a bola estava sob domínio adversário, com um dos volantes subindo o bote e o outro ficando no entre-linhas. O Sport cedia mais metros da intermediária à progressão goiana e alternava de bloco médio pra baixo, fazendo encaixes no setor, buscando manter a curta distância entre as linhas de defesa e meio, e deixando 9 jogadores atrás da linha da bola, com Leonardo mais à frente. O Goiás tentava adiantar mais a marcação para forçar os lançamentos e congestionar o meio-campo, negando espaços ao encaixe do passe vertical entre-linhas e limitando o adversário a trocar passes lateralmente. Porém, faltava agressividade na marcação por parte de ambas as equipes.
Os dois times atacavam prioritariamente pelos lados do campo. O Sport tentava passes longos e enfiadas de bola por cima, buscando a movimentação de Felipe Azevedo e Erico Junior(que invertiam o lado do campo com certa constância) e a flutuação de Zé Mário, que também abria na ponta para dar opção de passe/esticada e tentar a jogada pelo fundo do campo. O time goiano tinha dificuldade para desenvolver o jogo pelos flancos, já que Eduardo Baptista fixava referência individual quando o adversário atacava por determinado lado, com Erico Junior e Felipe Azevedo acompanhando os laterais adversários até o final, enquanto que Patric e Renê pegavam quem caísse pelo seu setor mais à frente. O centroavante Assuério saía constantemente da área para buscar jogo, circular entre as linhas de defesa e meio, oferecer linha de passe ao portador da bola, tentar o arranque nos contra-ataques ou procurar a jogada pelos lados da área. Porém, faltava a aproximação dos meias, que muitas vezes deixavam-o isolado na frente e distante do resto do time.
O Goiás ganhou mais velocidade pelo lado direito do ataque com a entrada de Erik, que tentava forçar pra cima de Renê, buscar as jogadas de fundo e dar opção de alargamento do campo por ali quando ocorria o encurtamento da linha defensiva rubro-negra, opcionando viradas de jogo e esticadas de bola. A marcação do Esmeraldino passou a ser mais agressiva, com os homens de frente pressionando mais intensamente a saída de bola em cima dos volantes e dificultando a transição entre os setores do Sport, que não conseguia mais trocar passes no meio-campo, nem sair com rapidez da defesa pro ataque. Eduardo Baptista tentou dar mais velocidade nos contra-ataques pela esquerda com Danilo, porém, não obteve sucesso. O Goiás tinha maior volume de jogo, mais posse de bola e o domínio territorial da partida. Com Bruno Mineiro, os comandados de Ricardo Drubscky ganharam mais presença entre os zagueiros e bola aérea ofensiva, passando a explorar mais os cruzamentos, e com Esquerdinha, tentaram dinamizar a criação com este vindo de fora pra dentro e também tentando a jogada na ponta pra cima de Patric. Apesar do controle do jogo, o Goiás não conseguiu transformar as chances que teve em gols.

Análise tática: Costa Rica 1 x 1 Grécia!

Prancheta- Costa Rica 1 x 1 Grécia.

Imagem confeccionada por Caio Gondo

 Na Arena Pernambuco, a Costa Rica fez história ao conseguir uma inédita classificação para as quartas-de-finais de uma Copa do Mundo, conquistada nos pênaltis após empate por 1 a 1 com a Grécia no tempo normal. Um time que veio ao Brasil desacreditado por muitos, mas com a confiança do povo de seu país. Muitos ironizaram o otimismo e os planos ambiciosos dos costa-riquenhos, que surpreendem cada dia mais, mostrando que a estratégia e prática do futebol moderno podem superar limitações e que o futebol é o esporte mais imprevisível que existe nesse mundo. Aliás, por ser tão imprevisível é que é tão apaixonante.

A Costa Rica foi no seu habitual 3-4-2-1, que se transformava num 5-4-1 sem a bola, fechando uma linha de 5 na defesa e uma de 4 jogadores no meio. O time da América Central marcava de forma agressiva, com pressão na bola e subidas de pressão até a intermediária defensiva grega, com até 5 jogadores ocupando o espaço por ali, volantes marcando alto e um dos alas avançando para pressionar os wingers/laterais gregos, quando tentava-se a saída pelos lados com o passe mais à frente para os mesmos. No campo de defesa, os zagueiros cercavam bem o ataque grego e tiravam o espaço do atacante quando o mesmo recuava pra receber um pouco mais atrás, com um deles saindo à caça e travando a ação ofensiva.
Com a posse de bola, a Costa Rica fazia sua saída com dois zagueiros abertos e avançando até a proximidade da intermediária ofensiva pelo lado(Grécia raramente apertava ou pressionava com mais intensidade no campo costa-riquenho) e laterais/alas espetados no campo de ataque para tentar a chegada pelo lado de campo com superioridade numérica, dobrando com o winger para cima do lateral(2×1). O lado mais explorado pelo time grego era a direita com Bryan Ruiz e Gamboa, e por vezes com Campbell procurando o deslocamento para a ponta-direita para buscar a aproximação, tabelar ou tentar a jogada pra cima da marcação nos lados da grande área. Porém, tinha dificuldades para encaixar o passe entre as linhas e conseguir a penetração diante das duas linhas de quatro gregas, com posicionamento em bloco médio/baixo, na própria intermediária e boa compactação, com poucos espaços entre si. A Grécia fazia encaixes individuais mais curtos, com acompanhamentos no setor e suas proximidades. Quando Campbell se deslocava para circular nos corredores entre-linhas(como é de sua característica), muitas vezes um dos zagueiros deixava a linha de defesa para acompanhá-lo, como no lance do gol, onde se deslocou para buscar jogo na intermediária, carregou a marcação do zagueiro, abriu com Bolaños na esquerda, um volante costa-riquenho infiltrou na área atraindo a marcação e deixou um espaço enorme para Bryan Ruiz finalizar na entrada da área.
A Grécia apostava bastante nos lançamentos em diagonal do campo de defesa, buscando o winger do lado oposto e a bola longa visando a recepção nas costas da defesa costa-riquenha, quando a mesma se adiantava e se distanciava um pouco da meta defendida por Keylor Navas, durante as subidas de pressão, porém, quase sempre os zagueiros conseguiam a interceptação. Nas bolas paradas defensivas, tanto a Grécia quanto a Costa Rica realizavam a marcação individual, com o número de embates na área sendo equivalente ao número de jogadores enviados pelo adversário para a ação ofensiva. A diferença é que a Grécia usava dois jogadores na primeira trave, com um deles sendo responsável pela interceptação de cruzamentos à meia altura direcionados para aquela região e o outro protegendo o canto do goleiro. No caso da Costa Rica, apenas Borges ficava projetado para subir no primeiro pau.
Após a expulsão de Duarte, a Costa Rica foi praticamente destruída taticamente. Extinguiram a pressão e a voracidade na marcação e recuaram muito suas linhas, passando a se posicionar num 4-4-1, com 8 jogadores atrás da linha da bola e somente Campbell mais à frente pra possivelmente tentar um arranque pra cima da zaga grega nos contra-ataques. A Grécia passou a jogar num 4-4-2 em linhas, com Gekas e Mitroglou, dois centroavantes mais à frente, que prendiam os zagueiros costa-riquenhos na área e eram bastante procurados nos cruzamentos e bolas paradas. Com dois homens fixos na área para tentar o cabeceio, a Grécia passou a espetar os laterais no campo de ataque, com estes sempre dando a opção para alargar o campo, chegar no fundo pra cruzar ou inversão de jogada quando a bola caía no flanco oposto. Aliás, a Costa Rica deixava o lado oposto muito vulnerável quando balançava suas linhas para o lado da jogada, sempre com o lateral oposto tendo muito espaço para fazer a passagem no corredor aberto pelas centralizações de Samaras(que passou a atuar mais aberto como winger pela esquerda) e Lazaros, que buscavam bastante a diagonal de fora pra dentro. Porém, a Grécia tinha pouquíssima criatividade pelo solo. E isso passa muito pela característica. É um time que gosta de jogar reativamente, mas não tem vocação ofensiva para propor jogo e ainda tem muitas limitações técnicas. Por isso tentava demasiadamente as bolas levantadas na área para a disputa dos centroavantes com os zagueiros adversários ou faltas/escanteios quando seus zagueiros subiam para o ataque. Ao término do tempo regulamentar, este que vos fala confessa que não pensou em algo diferente de uma classificação grega nos pênaltis, por ter mais experiência internacional, ser mais acostumava com decisões e pelas circunstâncias da partida, onde a força mental da Costa Rica aparentava estar um pouco abalada. Porém, nas penalidades máximas, onde brilhou a estrela do excelente goleiro Keylor Navas, foi realmente impressionante a tranqüilidade e a segurança costa-riquenha nas cobranças, principalmente por se tratar de um momento decisivo.

Análise tática: Alemanha 2 x 2 Gana!

POSICIONAMENTO 1(98)

Em Fortaleza, tivemos um confronto emocionante e interessante taticamente entre Alemanha e Gana. A partida serviu para mostrar alguns problemas e dificuldades do time alemão, onde os africanos tiveram a chance da vitória, porém, deixaram a peteca cair.

Gana marcava com duas linhas de quatro bem compactadas, que balançavam de acordo com a movimentação da bola, tiravam o espaço para o toque de bola progressivo/vertical da Alemanha e por vezes, buscavam pressionar mais à frente, iniciando o combate a partir da intermediária defensiva alemã. Quando marcava dentro de seu próprio campo, geralmente deixava o meia-central à frente da linha de 4 do meio e Asamoah Gyan mais adiantado.

A Alemanha alternava entre fases de 4-1-4-1 e 4-2-3-1 de acordo com a movimentação de Toni Kroos, que sem a bola também chegava a avançar o bote pelo meio, quase que alinhando-se com Müller. Os alemães tinham dificuldades para fazer a transição entre os setores com qualidade pelo chão, limitando-se muitas vezes a trocas de passes laterais no seu campo de defesa e/ou no meio-campo e tentando chegar com mais perigo por meio de enfiadas de bola para a chegada de Özil ou Götze(que também trocavam de posição) na linha de fundo para tentar o cruzamento para a área, buscando a escorada de Müller. Quando o ataque alemão chegava no fundo, normalmente três jogadores fechavam na área para tentar a conclusão. As dificuldades da Alemanha ocorriam principalmente pelo fato de ser um time com a característica de jogar em velocidade na transição defesa-ataque pegando a defesa adversária em fase de recomposição, além da dificuldades que tem quando o adversário nega espaços na intermediária e/ou pressiona sua saída.

Os africanos tentavam a saída com velocidade no contra-ataque, porém, tinham dificuldades para encaixá-lo, por causa dos erros na puxada e no último passe. Com a bola, atacava mais pelo lado direito, com Atsu tentando o corte pra dentro, mas trabalhando na ponta com a passagem do lateral-direito Afful na direção do fundo do campo. Asamoah Gyan se deslocava pra receber fora da área ou na ponta e buscando a progressão pra cima da defesa alemã. Ayew afunilava pelo meio e entrava em diagonal para a área quando a bola caía pelo lado direito do ataque(como no lance do 1º gol ganês), porém, Gana pouco explorou no primeiro tempo, a passagem de K.Asamoah no corredor pela esquerda.

O primeiro gol alemão surgiu de uma situação de jogo onde o time conseguiu encaixar o passe entre as linhas, encontrando mais espaço pra desenvolver a ação ofensiva, abriu o jogo na direita e Mário Götze(o ponta do lado contrário ao do cruzamento) fechou em diagonal, Afful(lateral que fechou na cobertura por dentro) não conseguiu acompanhá-lo e Götze fez a infiltração no espaço entre ele e o zagueiro Boye para a conclusão.

Depois de Gana marcar seu gol da virada, com Asamoah Gyan, o técnico alemão Joachim Low entrou com Schweinsteiger no lugar de Khedira e Klose na vaga de Götze. Com Schweinsteiger, a Alemanha melhorou a dinâmica na criação e trocas de passe e a qualidade das enfiadas de bola e chegadas à frente. Klose assumiu o centro do ataque, “empurrando” Müller para o lado direito do ataque e abrindo Özil na esquerda. Gana recuou um pouco mais suas linhas depois do 2º gol e passou a ter uma proposta ainda mais contra-golpista. Após o empate alemão, o jogo ficou mais aberto, com Gana tentando acelerar a transição pro ataque, mas também deixando espaços pro contra-ataque da Alemanha.

Análise tática: Itália 0 x 1 Costa Rica!

POSICIONAMENTO 1(97)

Na Arena Pernambuco, a Costa Rica fez história. Depois de surpreender o Uruguai com uma vitória por 3 a 1, a vítima da vez foi a Itália. Com o resultado, os costa-riquenhos garantiram a classificação para as oitavas-de-final. Mesmo com suas limitações técnicas, a organização estratégica e o comprometimento dos jogadores na execução do plano de jogo supera tudo isso, mostrando o excelente trabalho do treinador Jorge Luis Pinto.

A equipe da América Central marcava num 5-4-1, buscando a pressão avançada na saída de bola da Itália, com 5 jogadores ocupando o campo rival, Campbell sendo a referência para o primeiro combate nos zagueiros italianos ao centro, Tejeda e Borges pressionando alto pelo meio, Bryan Ruiz e Bolaños fazendo o cerco em caso de abertura de jogada e o ala/lateral do lado da bola subindo o bote quando tentava-se o passe mais à frente para o winger ou lateral italiano daquele setor, enquanto que o ala/lateral do lado oposto fechava na linha defensiva.

Os costa-riquenhos se caracterizavam pela compactação, rapidez na recomposição e abaixamento do bloco de acordo com a progressão adversária com a bola nos pés e a linha de 4 do meio balançando de acordo com a movimentação da pelota. Buscava-se a interceptação de passes mais longos e cerco às proximidades do setor da bola às vezes com 2 ou 3 jogadores tentando tirar o espaço do portador/receptor da pelota no campo de ataque, fora que a defesa tinha força no combate, na retomada de bola, dificultando ainda mais, principalmente quando o jogador italiano ficava de costas para marcação.

Com a bola, os dois meias circulavam por trás de Campbell(que também tentava o deslocamento para buscar jogo na ponta, receber fora da área e tentar o arranque nos contra-ataques), com Bryan Ruiz procurando o centro da intermediária ofensiva para armar o jogo e Bolaños também buscando a investida na diagonal de fora pra dentro, enquanto que os alas subiam pela beirada. No lance do gol, Bolaños saiu da meia-esquerda, Diaz mergulhou no corredor e Bryan Ruiz entrou na área, fazendo inteligente infiltração às costas do zagueiro Chiellini e subindo na segunda trave para o cabeceio.

O 4-1-4-1 da Itália tentou marcar pressão na intermediária defensiva costa-riquenha no primeiro tempo, chegando a dificultar a saída da defesa para o ataque com qualidade. Com a posse de bola, os italianos faziam a “saída de três” geralmente com De Rossi afundando ao centro, Chiellini e Barzagli abrindo e espetando os dois laterais. Com dificuldades para sair pro jogo diante da marcação avançada dos adversários, a Azzurra buscava muito a ligação direta para o campo de ataque, buscando a infiltração de Balotelli nas costas da defesa da Costa Rica ou a subida dele pelo alto pra tentar proteger no pivô ou girar pra tentar a finalização. Boa parte desses lançamentos eram feitos por Pirlo, que caía um pouco mais à esquerda, porém, se aproximava para receber na saída de bola e tentar a bola longa com sua ótima visão de jogo e elegância no passe longo.

No segundo tempo, os italianos voltaram num 4-2-3-1 com as entradas de Insigne e Cerci para tentar velocidade nas diagonais e jogadas pelos flancos, além de Cassano, que ficava mais por dentro na linha de 3. Porém, via-se uma Itália estática, sem alternativas de jogo e sem movimentação para tentar criar espaços na defesa da Costa Rica, que tentava a saída rápida no contra-ataque com Brenes pelos lados e Ureña, que recebia e tentava a partida/progressão na direção da grande área italiana. No final, merecida vitória de uma Costa Rica inteligente e bem planejada.

Análise tática: Honduras 1 x 2 Equador!

POSICIONAMENTO 1(96)

Em Curitiba, Honduras e Equador fizeram um jogo de baixo nível técnico, pouca criatividade, disposições táticas muito semelhantes e decidido em mínimos detalhes. Com a vitória, o time sul-americano somou 3 pontos, empatando com a Suíça, porém, fica momentaneamente em segundo no grupo pelo saldo de gols.

Os hondurenhos marcavam compactadamente na intermediária defensiva, com duas linhas de quatro que flutuavam para o lado da bola e negavam espaços à progressão vertical equatoriana. Com a bola, o time da América Central buscava bastante a ligação direta e lançamentos em diagonal do campo de defesa para o ataque, procurando os atacantes Costly e Bengston, de boa finalização, fortes fisicamentes e perigosos na bola aérea ofensiva. Quando Honduras tinha a posse pelo centro, um desses atacantes recuava para receber de costas fora da área e tocar para trás. Espinoza também tentava a chegada de fora pra dentro, buscando a jogada/finalização na proximidade da entrada da área. Pelo solo, Honduras tinha dificuldades para desenvolver o toque de bola e sair da defesa para o ataque, também por causa das limitações técnicas de seus jogadores.

Na dupla de ataque equatoriana, Ener Valencia se deslocava mais para tentar o drible, receber na ponta e/ou buscar a jogada ali pela beirada, mas também aparecendo na área junto com Caicedo(que também recuava para receber a bola ao centro da intermediária ofensiva nos contra-ataques) para tentar a conclusão de cruzamentos, como foi nos dois gols do Equador, marcados pelo próprio Valencia, com destaque para o segundo, onde ele inteligentemente fez a infiltração no espaço entre dois hondurenhos na área, tendo impulso na subida e tempo de bola para o cabeceio. Além da mobilidade e flexibilidade, Ener Valencia também se destaca pelo seu bom posicionamento e movimentação na área. Quando Montero recebia pelo lado esquerdo, normalmente procurava a arrancada e/ou a jogada individual pra cima da marcação, geralmente buscando a linha de fundo, porém, tinha dificuldades para jogar quando Honduras dobrava a marcação pelo lado direito de sua defesa de modo a induzi-lo ao erro e não havia a aproximação de outro jogador equatoriano para dar opção de passe ou reinício de jogada. Noboa apoiava por dentro, com qualidade na saída e no passe procurando o companheiro mais à frente, enquanto que Minda ficava mais na contenção.

Na segunda etapa, os dois times passaram a apostar ainda mais na bola aérea, principalmente nas bolas paradas quando seus zagueiros também subiam na área pra tentar o cabeceio. Depois do segundo gol de Equador, Honduras encontrou mais dificuldades, pelo fato de não ter a característica de propor jogo e agredir o adversário. Usou um pouco menos da ligação direta e entrou com Mario Martinez, com o objetivo de tentar dar mais criatividade e qualidade no passe. Com a bola, Martinez buscava também o lado esquerdo para trabalhar com Izaguirre, centralizando Espinoza. O Equador cedia a intermediária e tinha problemas para encaixar o contra-golpe em velocidade, porém, muito pela sua falta de qualidade técnica, Honduras não tinha efetividade em suas chegadas ao ataque.